11.7.18

Não permita que a infelicidade


Se deite em tua cama
Pois se ela ficar bem acomodada

Fará de tua casa sua morada
E se autoproclamará tua dama

10.7.18

A porcelana


Que um dia foi quebrada
Ainda que perfeitamente colada

Jamais conseguirá esconder
Todas as suas marcas

Um olhar atendo achará as cicatrizes
E nelas lerá as histórias que estão gravadas

5.7.18

Preciso desesperadamente falar de nós


E tem que ser sem demora
Antes que nasça mais um dia
Antes que me termine a vida

Preciso desesperadamente falar de nós

E tem que ser com você
Pois no que sinto
Ninguém mais vê sentido

Preciso desesperadamente falar de nós

E ter que ser agora
Antes que termine o dia
Antes que me nasça outra vida

4.7.18

Vi em ti muito mais


Do que qualquer outro viu
Dei pra ti muito mais
Do que qualquer outro deu
Ficou evidente
Que nada entendeste
Não conseguiste carregar tudo que recebeste

Com a carga de sentimentos
Que era só para ti
Não soubeste lidar
Despejaste tudo ao mar
E o resultado foi este:

Foste embora
Afirmando taxativamente
Que era para sempre
Hoje, continentes nos separam
E sem barco ou porto
Não há como iniciar uma jornada

Fico aqui
Na beira da praia
Olhando sóis que se põe exaustos
Esperando por estrelas
Criando raízes na areia

Engrossando o tronco
Formando uma frondosa copa
Refúgio de pássaros
Que migram cansados
E sombra para outros amores
Talvez mais promissores

3.7.18

O amor


Que ao longo dos anos
Construímos
É nossa fortaleza

Ele nos abriga
Nos mantém vivos
Nos sustenta

Nos qualifica
Nos deixa tranquilos
Nos referenda

Nos faz quitar as dívidas
E superar quaisquer empecilhos
Com quem quer que seja

2.7.18

Ne sois pas triste, Chérie


N'existe pas pour toujours
Ni plus jamais

La vie est un cicle
Et certainement

Un jour nous nous reverrons
Dans ce même chemin

29.6.18

No hay como vivir


Sin correr peligro
Muerto no se pone en riesgo

28.6.18

Vai


Segue o teu caminho
Quem te recebe agora é o mar

Vai e não olha pra trás

Pois este coração para voltar a bater
Precisa se esvaziar

26.6.18

Guarda noturno


Que zela pelos sentimentos
Percorrendo sempre o mesmo circuito
Considerando-se vivo
Por ter na boca um apito

Avisando a todo mundo:
- Meia noite e tudo está tranquilo!
Assim desaparecem os teus medos
E tens atenuados os conflitos

25.6.18

O que importa agora


Quem teve ou não razão?
E o que faltou ou sobrou
Em cada coração?

Será que não existe amor
Que consiga acabar
Sem necessariamente machucar?

E será que essa dor
Que em nós se alojou
Um dia haverá de passar?

22.6.18

Não vejo motivo


Para que você precise ser perdoado
O coração não ouve sermão
E desobedece ainda que seja torturado

Não se sinta culpado
Pelo simples fato
De estar apaixonado

Mesmo que o amor que o mantém fisgado
Seja proibido pra você
E nasça já sabendo estar desenganado

21.6.18

It's not love


Property of the lover
The lover is who he is
Property of love

20.6.18

Tout ce chaos évidente


Cette irratrionalité
C'est l'argument
Le plus convaincant

Que le monde
Ne peut pas avoir été créé

Par quelqu'un
Cela peut être considéré
Omnipotent

19.6.18

Não conseguimos


Querida
Ficar juntos nesta vida
E agora
Com tanto amor acumulado
Temos créditos de sobra
Para podermos gastá-los
Em muitas outras vindas
Caso no futuro
Novamente
Voltemos a caminhar
Pela mesma trilha

18.6.18

I need a place


Inside you
But it has to be a place
Where the things
That really matter
May happen

12.6.18

Para reconhecer um amor falido


Há um teste fácil de se executar
Faça-lhe um corte
Com qualquer profundidade ou sentido
E certamente ele não vai sangrar

11.6.18

Un dénouement correct


N'implique pas toujours
Dans une fin heurese

7.6.18

Lágrimas


São porções de mar
Que trazemos dentro de nós

Pequenos oceanos
Com níveis controlados

Por sentimentos humanos
Que de quanto em quando

Para não nos afogar
Precisam escoar

6.6.18

No jardim das belezas


A Hortência
Pôs fim à própria existência
Não quis mais saber de nada

A Margarida
Também desistiu da vida
Alegou não aguentar nem um dia depois de abandonada

A Rosa
Mergulhou numa depressão profunda, quase catastrófica
Mas felizmente em tempo foi ajudada

A Iris
Adicta numa numa abstinência ingrata
Convulsionou, delirou e acabou internada

A Tulipa
Em ponto de bala, não ouvia nada
Para se acalmar precisou ser imobilizada

A Dália
Quase pulando da ponte
Teve que ser contida e medicada

As flores já não são mais as mesmas
Querem ser vistas além das aparências
Amar e ser amadas

Mas quando colocam isso como exigência
Descobrem a crueldade da existência do pouco
Ou até mesmo do nada

Aí desabam vencidas
E inconformadas veem murchar uma a uma
Antigas certezas acumuladas

5.6.18

Détache tes dents de mon cou


Et tes griffes de mes épaules
Je dois partir
Et laisse toi
Exactement comment je t'ai trouvé
Sans une goutte de mon sang
Sans l'influence de mon regard

4.6.18

No soy de juzgar a nadie


Pero ese desprecio
A que me condenaste
Sólo es perdonable
Si estás en profunda catatonia
O ya te has suicidado

30.5.18

Não tinha mesmo como durar mais


As coisas estavam todas em seu lugar
Mas ao mesmo tempo não estavam
Foram se apagando pouco a pouco
Deixando oca a nossa casa

Tudo se transformou em lembranças
Foste embora tão rápido
Que o vento se encarregou
De apagar o teu rastro

Tanto que hoje só me lembro
Do rádio ligado
Da luz acesa do quarto
E da porta aberta do armário

29.5.18

Pra que saber


Teu endereço terreno
Se há tanto tempo
É acima das nuvens que estás
E nem ao menos
Planejas voltar

28.5.18

Há uma indiscutível relação


Entre a terra
E os seres da terra
Sempre que preciso de um pouco dela
Eu a retiro lá do sítio
E não é por acaso
Que com frequência
Me deparo com surpresas
Junto aos sacos
Guardiões atentos
E em posição de defesa
Um dia é uma aranha
Em outro uma serpente
Depois um sapo
Desta vez um lagarto
Guardando com unhas e dentes
O que entende ser seu por direito
Recusando-se a ser saqueado
- Com licença
Valente soldado
Esta terra está sendo levada
Por um motivo válido
Prometo que ficará fora
Apenas pelo tempo necessário
Retornando logo ao seu reino
Com algo digno para ser plantado

25.5.18

Somos artistas decadentes


Na arte de amar
Criminosos reincidentes
Que não aprendem a lição
E não desistem de tentar

24.5.18

Sou como sou


Não consigo disfarçar
Me ame se conseguir
Mas não tente me mudar
Preciso que seja assim
Senão o amor que acaba de começar
Pode já ter que encarar o seu fim

23.5.18

Poetas são loucos


Visionários, nefelibatas
Quase nunca pautados na razão
Flashs de luzes que caminham
Num túnel escuro
Crentes de que serão capazes
De com sua arte
Por fim à escuridão

Têm métodos próprios e inusitados
Não necessariamente lógicos e testados
Ninguém os convence
De nada em contrário do que pensam
Pode obter alguma epifania com a realidade
Mas a transcendência vem mesmo é da ilusão
Da distorção, da provocação e da criatividade

22.5.18

Não consigo mais reconstituir o nosso amor


Pode parecer muito
Mas foi o pouco que restou
Fotos desbotadas numa caixa de bombons
Teu cinzeiro de prata ressentindo a tabaco
Rascunhos de poemas em papeis garranchados
Livros com trechos sublinhados
Algumas roupas amassadas no armário

Fragmentos de nossas árias preferidas
Que o vento traz não sei de onde
E logo carrega pra longe
Lenha na lareira queimada pela metade
Rolhas acumuladas no grande frasco agora empoeirado
A visita da coruja sempre no mesmo horário
Um lenço manchado esquecido no bolso do casaco

São lembranças mutiladas
Já muito distorcidas
De uma história viva que fez todo o sentido
Naqueles momentos difíceis e delicados
Agora vestígios descontinuados
De algo que precisou morrer
Mas não foi enterrado

Sem a tua presença
As pontas não mai se ligam
E tentar entender o que ficou pelo caminho
É perder tempo realimentando o sofrimento
Sem conseguir resgatar nada daquilo que foi válido
Pois uma cerca viva com espinhos protege o que foi bom
Ajudando a manter suas raízes firmemente fixadas no passado

21.5.18

Há uma brutal poesia


Na vida
E também
Nas placas de estrada
Que enferrujam
Crivadas de balas

17.5.18

No semáforo


Ele não permite mais ninguém
Não divide seu espaço

Artistas, desocupados
Pedintes, pastores mal encarados

Ambulantes e suas quinquilharias
Todos dali são enxotados

Quando param os carros
Se os faróis estão apagados

Ele ordena que se acendam
Abrindo os braços

Todos lhe obedecem
Como que hipnotizados

É seu direito inquestionável
Como dono do espaço

Autodenomina-se Profeta, o Ungido
E só assim aceita ser chamado

Está incumbido de uma dura missão
Um trabalho que não pode ser delegado

O de salvar o planeta de todo o mal
Usando os poderes que lhe foram dados

Afirma pra todo mundo que nunca mais comerá
Mas está visivelmente esquálido

Porém muito ativo
Impressiona seu olhar injetado

Serpenteia alucinadamente entre os veículos
Com seu corpo sujo e magro

Diz absorver toda a energia de que precisa
Tocando na luz acesa do farol baixo

São suficientes 3 segundo por lâmpada
E não mais que uma por carro

O procedimento exige que fique com a mão espalmada
Sorvendo a energia em contato com o plástico

Nunca mais adoecerá
Só precisa de 20 contatos por intervalo

Viverá para sempre
Se não falhar em seu labor sagrado

Está disposto a servir como mártir
Pelo tempo que se fizer necessário