29.11.19

Quem afirma


Não temer
Perder seu grande amor
Mente

E tem ainda o desejo
De querer sempre mais

Pois quem ama
Não se sacia de amar
Jamais estará contente

28.11.19

Se encontrares um amor


Agarra-o com força
E convença-o a comemorar

Não há nada mais raro e precioso
Na vida para se conquistar

Cantem
Dancem

Brindem aos deuses
De todas as crenças

Mergulhem de cabeça
Neste oceano de dores e prazeres

Pois quem nunca amou
Jamais poderá dizer

Que realizou plenamente
A sua condição humana do ser

27.11.19

Um amor que termina


É capaz de nos causar
Tristeza e alegria

Alegria pelo fim do sofrimento
Que qualquer amor implica

E tristeza por perdermos
O bem mais precioso de nossas vidas

25.11.19

Um copo


Em em seguida
Escapa-me um pensamento

Outro copo

E já me vejo desarmado
Cercado pelo sentimento

Mais um copo

E uma lágrima me escorre silenciosa
Sem necessitar argumento

Um último copo

E a dor me mantém imobilizado
Enquanto dilacera o meu peito

21.11.19

A cidade nos rouba


O brilho das estrelas
E nos priva
Da noção de infinito

Assim o céu
Torna-se apenas
Um manto negro e sem graça

Que nos cobre as cabeças
Os corpos
As paisagens

E nos sufoca
Alegando
Precisar ser deste jeito

Uma malha densa
E sem falhas
Para nos proteger

E conter
Sem que precisemos
De amarras

19.11.19

É possível que estejamos mudando a nossa forma de amar?


Amamos menos nesses novos tempos?
E isto estaria acontecendo
Por temermos não suportar
As consequências do erro?

Não amar é deixar de viver
Amar é se permitir vencer
O medo de fracassar
Sem pensar no preço

18.11.19

A soberba nos torna cegos


Ao ponto de desacreditarmos
De nossa natureza mortal
E nos sentirmos eternos
Sem o maior constrangimento

E é esta mesma cegueira insana
Que permite o domínio da ignorância
Nos fazendo cometer erros grotescos
Como o de desprezar o amor por exemplo

Como se ele não nos fizesse falta
Não fosse algo raro
E estivesse ao alcance da mão
A qualquer momento

E isto em relação ao cosmos
É mais que um engano
É um ultraje imperdoável
Um desrespeito

14.11.19

Arrancar-te de dentro de mim


Tem doído
Não só no sentimento
Mas também nos ossos e entranhas
Minhas forças se esgotam
Levadas pelas lágrimas
Que me escorrem hemorrágicas

E ainda há as marcas
Presentes nos objetos e tecidos
Elas não se calam
Basta olhá-las
São tantas e tão difusas
Que é impossível apagá-las

11.11.19

Estou convencido


De que o amor é um assunto
Sobre o qual é possível
Versejar "ad infinitum"

É o mais democrático dos sentimentos
E quando acomete o indivíduo
É como se nenhum outro igual
Jamais tivesse existido

E para quem sente
Ele será sempre o mais arrebatador
O mais imenso
Mais verdadeiro
Mais exclusivo

Meu desafio é demonstrar
Que o que falo não é só uma teoria
Ou um exercício de uma temática repetitiva
É antes de tudo um tributo
Àquilo que nos torna humanos
E dá sentido às nossas vidas

8.11.19

Nos conhecemos tão bem


E temos gostos tão iguais
Que quando decidimos partir
Escolhemos os mesmo refúgio
O mesmo lugar para nos abrigar

Isso nos obrigou a ver e aceitar
Que nossos destinos continuam unidos
E por mais que tentemos
Não nos é possível separar

7.11.19

O amor nasce da surpresa


Da atitude desarmada
Do improviso
Não depende da vontade
Não é programável
E sim fruto exclusivo do acaso

Nasce numa falha de defesas
Naquele momento único e preciso
Em que nossas portas estão escancaradas
E nos permitimos acesso
Ao que temos de mais íntimo

6.11.19

You will make me die frustrated


For not having insisted and taken
The history of us to de point
Where everything was terminated

5.11.19

A coisa mais incontrolável


Deste mundo é o sentimento
Somos conduzidos por ele
E isso não pode ser mudado

Não há o que se possa prometer
Não há como remover apenas pela vontade
Aquilo que no coração foi armazenado

4.11.19

É da natureza humana


Apegar-se ao que acabou
Ao que já foi
Ao que não volta mais
Ao que virou ilusão

Criamos a sensação
De algo não acontecido
De que nada é irreversível
De que falhou a condução

Amor antigo é só fantasia
Cerzida pelo tempo
Para o espetáculo da vida
Que tem como palco o coração

1.11.19

As imagens que temos


De mim em ti
E de ti em mim

São só lembranças construídas
E distorcidas
Desde tempos imemoriais

Certamente não correspondem mais
Ao que somos nos dias atuais

Mudamos o tempo todo
E esse fenômeno
Não conseguimos evitar

Mas se a recordação que armazenamos
Continua acalentando os nossos corações

Não vejo razão para mudar
Pois o que hoje somos
Pode não mais agradar