19.7.18

Aos poucos pude perceber


Que por mais criativas que possam ser
As histórias inventadas
As histórias contadas

Elas jamais alcanção a riqueza
Das histórias vividas
Ainda que destituídas de sentido ou mutiladas

18.7.18

S'il te plâit


Ne me critique pas
Ne me condamne pas
Ne me pardonne pas
Accepte moi juste
Et laisse moi rester ici
Sans rien parler
Niché avec toi

17.7.18

Não vejo mais


No teu olhar
A delicadeza que tando me fascinou
Nos dias que não têm como voltar
A chama acesa do amor
A vontade de se doar
O sorriso fácil e sem dor
O abraço pra aquecer e abrigar

O solo se desgastou
A terra de tão seca rachou
E agora temo
Que tenhas sido
Brutalizada pelo tempo
Pois não encontro em ti
As sementes que reservamos para plantar

E se não as temos
E não nos ajuda o terreno
Tudo o que podemos cultivar
É o frio
O silêncio
A sede da indiferença
E a fome de amar

O sol já está se pondo
Não há porque esperar
Por isso com bolhas nas mãos
As pálpebras pesando
E as ferramentas nos ombros
Carregado de tristezas
Prefiro me afastar

16.7.18

Quem


Nunca partiu
Sem pensar

Não tem como avaliar
A dor

Que sente
Aquele que se arrepende

Depõe as armas
E decide voltar

Desistindo de tenar esquecer
O seu grande amor

13.7.18

Prazer demais


É sofrimento
E pode até matar

12.7.18

Não falar o nome da doença


Não ajuda na cura
Podes ter certeza

11.7.18

Não permita que a infelicidade


Se deite em tua cama
Pois se ela ficar bem acomodada

Fará de tua casa sua morada
E se autoproclamará tua dama

10.7.18

A porcelana


Que um dia foi quebrada
Ainda que perfeitamente colada

Jamais conseguirá esconder
Todas as suas marcas

Um olhar atendo achará as cicatrizes
E nelas lerá as histórias que estão gravadas

5.7.18

Preciso desesperadamente falar de nós


E tem que ser sem demora
Antes que nasça mais um dia
Antes que me termine a vida

Preciso desesperadamente falar de nós

E tem que ser com você
Pois no que sinto
Ninguém mais vê sentido

Preciso desesperadamente falar de nós

E ter que ser agora
Antes que termine o dia
Antes que me nasça outra vida

4.7.18

Vi em ti muito mais


Do que qualquer outro viu
Dei pra ti muito mais
Do que qualquer outro deu
Ficou evidente
Que nada entendeste
Não conseguiste carregar tudo que recebeste

Com a carga de sentimentos
Que era só para ti
Não soubeste lidar
Despejaste tudo ao mar
E o resultado foi este:

Foste embora
Afirmando taxativamente
Que era para sempre
Hoje, continentes nos separam
E sem barco ou porto
Não há como iniciar uma jornada

Fico aqui
Na beira da praia
Olhando sóis que se põe exaustos
Esperando por estrelas
Criando raízes na areia

Engrossando o tronco
Formando uma frondosa copa
Refúgio de pássaros
Que migram cansados
E sombra para outros amores
Talvez mais promissores

3.7.18

O amor


Que ao longo dos anos
Construímos
É nossa fortaleza

Ele nos abriga
Nos mantém vivos
Nos sustenta

Nos qualifica
Nos deixa tranquilos
Nos referenda

Nos faz quitar as dívidas
E superar quaisquer empecilhos
Com quem quer que seja

2.7.18

Ne sois pas triste, Chérie


N'existe pas pour toujours
Ni plus jamais

La vie est un cicle
Et certainement

Un jour nous nous reverrons
Dans ce même chemin

29.6.18

No hay como vivir


Sin correr peligro
Muerto no se pone en riesgo

28.6.18

Vai


Segue o teu caminho
Quem te recebe agora é o mar

Vai e não olha pra trás

Pois este coração para voltar a bater
Precisa se esvaziar

26.6.18

Guarda noturno


Que zela pelos sentimentos
Percorrendo sempre o mesmo circuito
Considerando-se vivo
Por ter na boca um apito

Avisando a todo mundo:
- Meia noite e tudo está tranquilo!
Assim desaparecem os teus medos
E tens atenuados os conflitos

25.6.18

O que importa agora


Quem teve ou não razão?
E o que faltou ou sobrou
Em cada coração?

Será que não existe amor
Que consiga acabar
Sem necessariamente machucar?

E será que essa dor
Que em nós se alojou
Um dia haverá de passar?

22.6.18

Não vejo motivo


Para que você precise ser perdoado
O coração não ouve sermão
E desobedece ainda que seja torturado

Não se sinta culpado
Pelo simples fato
De estar apaixonado

Mesmo que o amor que o mantém fisgado
Seja proibido pra você
E nasça já sabendo estar desenganado

21.6.18

It's not love


Property of the lover
The lover is who he is
Property of love

20.6.18

Tout ce chaos évidente


Cette irratrionalité
C'est l'argument
Le plus convaincant

Que le monde
Ne peut pas avoir été créé

Par quelqu'un
Cela peut être considéré
Omnipotent

19.6.18

Não conseguimos


Querida
Ficar juntos nesta vida
E agora
Com tanto amor acumulado
Temos créditos de sobra
Para podermos gastá-los
Em muitas outras vindas
Caso no futuro
Novamente
Voltemos a caminhar
Pela mesma trilha

18.6.18

I need a place


Inside you
But it has to be a place
Where the things
That really matter
May happen

12.6.18

Para reconhecer um amor falido


Há um teste fácil de se executar
Faça-lhe um corte
Com qualquer profundidade ou sentido
E certamente ele não vai sangrar

11.6.18

Un dénouement correct


N'implique pas toujours
Dans une fin heurese

7.6.18

Lágrimas


São porções de mar
Que trazemos dentro de nós

Pequenos oceanos
Com níveis controlados

Por sentimentos humanos
Que de quanto em quando

Para não nos afogar
Precisam escoar

6.6.18

No jardim das belezas


A Hortência
Pôs fim à própria existência
Não quis mais saber de nada

A Margarida
Também desistiu da vida
Alegou não aguentar nem um dia depois de abandonada

A Rosa
Mergulhou numa depressão profunda, quase catastrófica
Mas felizmente em tempo foi ajudada

A Iris
Adicta numa numa abstinência ingrata
Convulsionou, delirou e acabou internada

A Tulipa
Em ponto de bala, não ouvia nada
Para se acalmar precisou ser imobilizada

A Dália
Quase pulando da ponte
Teve que ser contida e medicada

As flores já não são mais as mesmas
Querem ser vistas além das aparências
Amar e ser amadas

Mas quando colocam isso como exigência
Descobrem a crueldade da existência do pouco
Ou até mesmo do nada

Aí desabam vencidas
E inconformadas veem murchar uma a uma
Antigas certezas acumuladas

5.6.18

Détache tes dents de mon cou


Et tes griffes de mes épaules
Je dois partir
Et laisse toi
Exactement comment je t'ai trouvé
Sans une goutte de mon sang
Sans l'influence de mon regard

4.6.18

No soy de juzgar a nadie


Pero ese desprecio
A que me condenaste
Sólo es perdonable
Si estás en profunda catatonia
O ya te has suicidado

30.5.18

Não tinha mesmo como durar mais


As coisas estavam todas em seu lugar
Mas ao mesmo tempo não estavam
Foram se apagando pouco a pouco
Deixando oca a nossa casa

Tudo se transformou em lembranças
Foste embora tão rápido
Que o vento se encarregou
De apagar o teu rastro

Tanto que hoje só me lembro
Do rádio ligado
Da luz acesa do quarto
E da porta aberta do armário

29.5.18

Pra que saber


Teu endereço terreno
Se há tanto tempo
É acima das nuvens que estás
E nem ao menos
Planejas voltar

28.5.18

Há uma indiscutível relação


Entre a terra
E os seres da terra
Sempre que preciso de um pouco dela
Eu a retiro lá do sítio
E não é por acaso
Que com frequência
Me deparo com surpresas
Junto aos sacos
Guardiões atentos
E em posição de defesa
Um dia é uma aranha
Em outro uma serpente
Depois um sapo
Desta vez um lagarto
Guardando com unhas e dentes
O que entende ser seu por direito
Recusando-se a ser saqueado
- Com licença
Valente soldado
Esta terra está sendo levada
Por um motivo válido
Prometo que ficará fora
Apenas pelo tempo necessário
Retornando logo ao seu reino
Com algo digno para ser plantado