21.10.15

The love



In reality
There's no way bring happiness
If it's tied in the impossibility

Recolher os retratos



Vender o sofá
Mudar os móveis de lugar
Não apagarão as lembranças
De tudo que vivemos
Na sala de estar

20.10.15

Comment vous oublier



Si les musique que je entends
Sont toujours des chansons d'amour
Et tout le temps
Uniquement le point pour vous?

Mas afinal



De onde vêm as palavras?
Vêm da apropriação
De tudo que vejo
Dos meus erros e acertos
Do mundo inteiro
Da vida

Da voz que me acorda
Às 3 da manhã e dita
Me obrigando a registrar
Com garranchos
E a cabeça confusa
O que afirma ser a obra prima

Gema preciosa e rara
Que às 7
Se revela ainda bruta
E à luz da razão
Já não aparenta mais
Ser tão perfeita e atrativa

Precisa ser lapidada e polida
Ganhar forma e brilho
Despertar algum encantamento
Sem esquecer que são só de palavras fluidas
E por isso não ter a ilusão
De que um dia será sólida e definitiva

19.10.15

Today



I do not want
To love me more

I just want
To let me go forward

Meu pedaço de paraíso



Fica ao pé de um morro
Num dos lados do arco-iris
Onde se pode viver a verdade
Sem que um pote de ouro
Seja condição para a felicidade

16.10.15

Je ne peux pas trouver



Fait que me donner la vie
Et d'occuper mes nuits
Maintenant aussi vide

A chama



Que nos ruborizava a face
Dominava pensamentos
E nos fez ferver
Por tanto tempo

Hoje mal consegue
Amornar sentimentos

Reduziu tudo o que vivemos
A imprecisas lembranças
Misturadas com fantasias bobas
Ou até menos

15.10.15

I deeply regret



Your mouth empty
And my needy

Existe um lugar



Em que as misérias humanas
Se encontram
E reciprocamente
Conseguem se alimentar

Um lugar de passagem e de ficar
Onde quem está
Quase nunca consegue sair
E quem ouviu falar
Sem entender bem por que
Diz querer conhecer

Mas poucos sabem realmente
O que lá podem encontrar
Dizem que quando se entra
A porta é fechada
E o incauto
Num imenso labirinto se vê metido
Onde só é possível seguir em frente
Sem a opção de recuar

E na media que se embrenha
Por corredores estreitos
Atalhos sobrios
Bifurcações
Desvios
Inusitadas situações
Se impõe pelo caminho

Espinhos
Cacos de vidro
Sustos
Chingamentos
Provocações
Ferimentos

Relâmpagos
Raios
Terremotos
Serpentes
Escorpiões
Vermes gosmentos

Impensáveis abominações
Lagos ferventes
Vapores pútridos
Gritos de pavor
Corpos derretendo
Gemidos
Lamentos
Choros de desespero
Horripilâncias muitas
Inferno de indescritíveis sofrimentos

E quando se está esgotado
Irreversivelmente derrotado
Por aquele meio infecto
Sem forças para gritar ou reagir
Uma saída se apresenta
Como que por encantamento

E mesmo com a luz convidando à liberdade
O sujeito já tão acostumado com a dor
E a previsibilidade da perversidade
Passa a termer o retorno ao mundo imperfeito
Acha mais fácil aceitar
O que julga ser seu destino
Enterrando-se de vez
Na coerência do texto de uma tragédia
Que tem enredo e final conhecidos

14.10.15

Difficile



Voilà quand les larmes finissent
Et il ya beaucoup à pleure

Na construção



De meus poemas
A caneta
Insiste
Persiste
Teima
Em compor apenas
Versos tristes
E dilemas

13.10.15

No need to wait


That all the lights go out
So you can cry

Unhas roídas



Pernas inquietas
Dentes rangendo
Dedos estalando

Não sei exatamente por que
Mas acho que este meu amor por você
Não está me fazendo muito bem

9.10.15

Nostalgie



Étoile filante
Sentier incandescent
Inscription dans la poitrine
Cicatrice évident

Vivendo morrendo



Morrendo de saudade
Morrendo de tédio

Morrendo de tesão
Morrendo de preocupação

Morrendo de desgosto
Morrendo de vergonha

Morrendo de sede
Morrendo de fome

Morrendo de frio
Morrendo de calor

Morrendo de dor
Morrendo de amor

Morrendo de medo de morrer
Morrendo de medo de viver

8.10.15

Even being so few



The dawns
I gave you

Has no day goes by
Not remember

And complain me
For losing you

Mesmo um amor moribundo



Ainda que trêmulo
Enquanto respira
É ferida cruenta
Não cicatriza

Ulcera
Cavita
Sangra
Transfixa

E quando infecta
Cultiva o ódio
Arde em febre
Choca em septicemia

Não vê mais o belo
Abomina
Pragueja até o fim
Sucumbe em caquexia

2.10.15

L'amour est une maladie



Collante et lâche
Et même si elle
Vous avez guérie
Il n'y a pas moyen
De sortir indemne
Certaines séquelles
Tôt ou tard
Va montrer son visage

Cheguei a duvidar



Se sem ti eu conseguiria ficar
O sofrimento chegou
Veio só cumprimentar

Alegou compromisso
Deu uma talagada na cachaça
Nem quis conversar

Despediu-se cambaleante
Içou as velas
E seguiu pelo mar

1.10.15

Dawn



Once again
I woke up from a dream
Where were you

Despite the despair for the loss
With feet tied
I drank some water
Kept the control
And not looked for you

De ti fui desistindo



Sem a percepção
Sem a intenção
Sem a compreensão

A cada ação
A cada lição
A cada frustração
A cada lamentação
A cada digreção
A cada distração
A cada alienação
A cada redução
A cada confusão
A cada ilusão
A cada desilusão
A cada não

Até o fim da adoração
Até o fim da paixão
Até o fim do tesão

30.9.15

Le difficile



Ne vous accommoder dans la poitrine
Mais vous expulser de ma rétine

Na duração de uma vida



Água mole não fura
A pedra dura

Facilita o banho
Vira bica

Consegue no máximo
Molhar quem se aproxima

Pode chegar até
A alagar o entorno

Mas se insistir por muito tempo
Neste projeto doido

Alisa o piso
E propicia o tombo

29.9.15

O que dizer sobre o amanhã



Se nem ao menos há um hoje
Que possa se vestir de ontem?  

28.9.15

O tempo



Rebelou-se de vez
Faz o que quer
Atropela tudo
Não pede mais para passar

Teve tanto poder
Que conseguiu
A tua mão
Da minha afastar

Te carregou daqui
Trancou portas e janelas
Jogou a chave fora
Me impediu de te acompanhar

E no olho do ciclone
Sumiu ensandecido gritando ao longe:
“O tempo passou na janela
Só Carolina não viu”

Agora não adianta chorar
O rodamoinho se desfez
O tempo ficou velho e rabujento
E nem fez questão de aprender a voltar

25.9.15

Em você



Não deixo de desejar
Nem mesmo aquilo
Que nas outras
Chego a detestar

24.9.15

Poesia



Sapo
Que deixa de contornar fatos

Interrompendo o passeio
Na beira do lago

Para num átimo
Impávido mergulhar

23.9.15

O lúmen



Arfante
E súbito
Do teu cigarro

Brasa pulsátil
Que te descortina o rosto
Depois que me tragas

22.9.15

Só por suportarmos a vida



O céu deveria ser um direito
E não uma conquista